Reflexões sobre a educação enxadrística: ferramenta psicopedagógica e a história do xadrez

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Reflexões

Algumas reflexões colhidas a partir da realidade escolar e desenvolvidas durante os estudos realizados no Programa de Desenvolvimento Educacional do Estado do Paraná, turma de 2009, levaram a considerar a importância do jogo de Xadrez como estratégia de ação para a construção de uma gestão escolar participativa. Nesse sentido, pretendo incentivar os alunos das 5º séries do período da manhã, do Colégio Estadual 29 de Abril, do município de Guaratuba, a jogarem xadrez. Após terem dominado o jogo e suas regras básicas, esses alunos deverão incentivar seus pais a aprenderem a jogar xadrez, o que proporcionará novos conhecimentos para os pais, trabalhando, ainda, questões imprescindíveis ao aprendizado como autoestima, concentração, atenção, raciocínio lógico, dentre outras. Porém, a grande meta é resgatar os pais, para que participem no contexto educacional na formação dos seus filhos, numa perspectiva de gestão escolar participativa.

Relativamente conhecido o jogo de xadrez é, todavia, difícil de definir. De certa forma pode-se dizer que esse é uma simulação de uma batalha entre duas nações medievais, representados por peças com diferentes funções, sobre um tabuleiro de oito por oito casas quadriculadas, somando um total de 64 casas de cores alternadas. Seu objetivo é dar xeque mate ao rei adversário. No xeque mate há um tipo de ataque ao rei adversário de forma que ele não tenha mais defesa ou fuga. Cada jogador possui 16 peças: um rei, uma dama, duas torres, dois bispos, dois cavalos e oito peões. Oportuna é aqui também a definição do famoso poeta, romancista e cientista alemão GOETHE (1786), para quem “O xadrez é a ginástica da inteligência”. MELÃO JÚNIOR (1998), contudo, refere-se ao xadrez de forma mais ampla e poética, definindo-o como:

O xadrez não passa de um punhado de tocos de pau, dispostos sobre uma tábua quadriculada, situada entre duas criaturas incompreensivelmente absortas, que, dominadas por uma espécie de autismo, desperdiçam inutilmente seu tempo, olhando para este brinquedo sem graça, enquanto o mundo ao seu redor pode desmoronar sem que se apercebam disso. Esta é a interpretação do homem vulgar, insensível e apático; incapaz de enxergar as essências, homem que se conforma com uma visão superficial das coisas e se deixa seduzir pelas aparências de outras atividades menos belas e eloquentes. Para o homem mediano, o xadrez é um mero acessório, útil tão somente porque contribui para desenvolver diferentes faculdades mentais, melhorando o desempenho escolar nas crianças, intensificando a acuidade mental nos adultos e preservando por mais tempo a agilidade mental nos idosos. Porém, para o homem espirituoso, criativo e empreendedor, o xadrez é uma das mais ricas fontes de prazer, um meio no qual se encontram elementos para representar as mais admiráveis concepções artísticas, um campo pelo qual a imaginação pode voar livremente, produzindo, com encantadora beleza, ideias deliciosamente sutis e originais. O xadrez é uma das raras e preciosas atividades em que o homem pode explorar ao fundo suas emoções, atingindo estados de prazer tão sublimes, tão ternos, tão intensos, que só podem ser igualados pelas sensações proporcionadas pelo amor e pela música.

Um dos grandes problemas trazidos pela pós-modernidade é a visão quase sempre parcial e fragmentada que temos das coisas à nossa volta. Nesse sentido, um dos grandes desafios da escola é o de conseguir formar alunos dentro de uma perspectiva integral da educação. Para que ele possa ver o movimento da vida como uma coisa só, não estática, sempre dinâmica, e não como fragmentos. A vida é um todo que retrata todas as faces do ser humano, suas crenças, seus medos, seus conflitos, suas incertezas, sua angústia, seu funcionamento fisiológico e principalmente psicológico. Não se pode entender o ser humano a partir de uma parte isolada de seu comportamento, de sua postura ideológica, por exemplo, ou de sua condição étnico-cultural.

Atualmente

O mundo atual, privado e cercado pelas muralhas de um suposto conhecimento, mas é como se além da informação e do consumo nada mais existisse, exige que o educando tenha acesso ao raciocínio lógico que o contato com os saberes acumulados que a humanidade produziu pode fornecer como possível resposta para seus problemas.

Um dos maiores dilemas que a contemporaneidade oferece cotidianamente ao ser humano é a sensação de estar encurralado diante de situações. Nesse momento, a mente não consegue raciocinar de uma forma lógica, desaparecem as respostas prontas, como que por encanto não se consegue ver a saída. Na maioria das vezes isso ocorre porque o homem atual está condicionado a ver a realidade de modo fragmentado. Buscar a solução dos problemas pelos seus efeitos é um grande equívoco, pois a consequência de um problema pode ter como origem outro problema esquecido ou mal resolvido e assim sua origem permanecerá oculta.

Uma visão parcial cria um individuo temeroso de tudo que possa encontrar além da sua área de atuação. Para resolver um problema é preciso vê-lo como um todo. Essa bem que poderia ser a primeira diretriz que deveríamos passar para nossos filhos e alunos. Teríamos um jovem questionador, disposto a aceitar não apenas porque aquilo lhe é imposto, mas porque assim concluiu. Fazer sem questionar é o caminho mais fácil, mas um indivíduo só se torna questionador quando sabe que para cada questão há sempre uma solução. No jogo de xadrez, uma visão ampla mostra não apenas o adversário que está diante de si, mas também todo ambiente à sua volta, todos os demais protagonistas que fazem parte da cena e todas as possíveis saídas. Às vezes o jogador de xadrez pode pensar que está completamente encurralado. Mas, revendo novamente a situação, dessa vez como um todo, ampliando sua visão, percebe que há uma saída para o problema. O problema exista apenas devido à sua visão fragmentada do jogo.

Um jogador de Xadrez, ao ver o tabuleiro por inteiro, pode avaliar melhor o problema que tem diante de si, sua origem e os recursos que têm para tentar solucioná-lo Considerando a situação como um todo o enxadrista tem uma visão privilegiada, aprendendo como superar, no futuro, cada dificuldade que se apresente. A atenção é sem dúvida o mais importante. O jogo de xadrez desperta esse estado essencial para a existência humana que é a atenção diante do surgimento acelerado de conceitos inéditos e provisórios que destroçam as grandes crenças do passado em nome de um questionável relativismo onde as éticas, os fatos e a própria realidade parecem desaparecer. As sociedades sempre consumiram, mas na sociedade contemporânea o que está para além das aparências é a ênfase dada ao consumo de coisas efêmeras apresentadas ao consumidor como essenciais. Esta nova fase do capitalismo avançado, multinacional e de consumo caracteriza um período onde as mudanças tecnológicas são tão amplas e rápidas que possamos senti-las e refletir sobre elas. O tempo é tão somente aquele que nos permite aceita-las.

No ensino do xadrez, assim como na vida, o aluno deve ser orientado a perceber a realidade para além de sua aparência. Com a visão total da realidade, a consciência se amplia e a pessoa terá a seu favor na solução de qualquer questão da vida a lógica que o ensinará a sistematizar e organizar uma questão antes de tentar resolvê-la. Nesse sentido, Vigotsky (2003, p.125), afirmou que:

Da mesma forma que uma situação imaginária tem que conter regras de comportamento, todo jogo com regras contém uma situação imaginária. Jogar xadrez, por exemplo, cria uma situação imaginária. Por quê? Porque o cavalo, o rei, a rainha, etc. só podem se mover de maneiras determinadas; porque proteger e comer peças são, puramente, conceitos de xadrez. Embora no jogo de xadrez não haja uma substituição direta das relações da vida real, ele é, sem dúvida, um tipo de situação imaginária. O mais simples jogo com regras transforma-se imediatamente numa situação imaginária, no sentido de que, assim que o jogo é regulamentado por certas regras, várias possibilidades de ação são eliminadas. Assim como fomos capazes de mostrar, no começo, que toda situação imaginária contém regras de uma forma oculta, também demonstramos o contrário – que todo jogo com regras contém, de forma oculta, uma situação imaginária. O desenvolvimento a partir de jogos em que há uma situação imaginária às claras e regras ocultas para jogos com regras às claras e uma situação imaginária oculta delineia a evolução do brinquedo das crianças.

Diante dessas ponderações, o jogo de xadrez já se qualifica como um precioso coadjuvante pedagógico na escola, uma vez que os conhecimentos adquiridos ao estudar e aplicar as regras do jogo podem ser transferidos para o estudo e análise das situações concretas da vida cotidiana. Além disso, embora não represente em si um instrumento de educação formal, se tomarmos as peculiaridades deste jogo e as projetarmos ao campo educativo podemos perceber que o xadrez cria hábitos de estudo, estimula a atitude de proceder com método e fomenta o desejo de superação mediante o conhecimento.

Breve história do xadrez

A falta de documentação torna muito difícil se precisar a época da invenção do xadrez. Contudo, historiadores discutem sobre várias possibilidades. Parece que o registro mais antigo que há sobre o xadrez é uma antiga pintura egípcia que mostra duas pessoas jogando algo parecido com o jogo há cerca de 3000 anos a.C. Entretanto, aceita-se, costumeiramente, como introdução à história do xadrez uma lenda indiana que posiciona muito bem a condição intelectual e psicológica desse jogo. Nas palavras de Becker (1971, p. 259):

Pela lenda, o xadrez foi inventado há 1950 anos por um hindu de nome Sissa, a fim de distrair o seu rei. Ao conhecer o jogo, o rei da Índia ficou tão entusiasmado que ofereceu a Sissa a liberdade de escolher o que ele bem desejasse como recompensa por tão notável invento. Toda a corte esperava que Sissa fosse pedir grandes riquezas, mas ele surpreendeu a todos com o seguinte pedido: um grão de trigo pela primeira casa do tabuleiro; dois grãos de trigo pela segunda casa; quatro grãos de trigo pela terceira casa; oito grãos de trigo pela quarta casa e assim sucessivamente, sempre dobrando o número de grãos da casa anterior até a casa de número sessenta e quatro (o tabuleiro de xadrez tem 64 casas). Seu pedido provocou risos. O rei meio que contrariado disse-lhe: “Um invento tão brilhante e um pedido tão simples? Escolha uma grande riqueza meu jovem, um de meus castelos, um palácio ou até uma de minhas mulheres!” Mas Sissa mostrava-se inapelável à proposta do rei, e, como palavra de rei é palavra de rei, este, ainda contrariado, pediu a seus criados que entregassem a Sissa um grande saco de grãos de trigo. Sissa, entretanto, recusou a oferta dizendo que queria receber exatamente o que havia pedido, nem um grão a mais, nem um grão a menos. O rei pediu então para que seus calculistas fizessem as contas. Depois de muito tempo e muitas contas, o matemático oficial do reino chegou assustado para avisar ao rei que eles encontraram o número 18.446.744.073.709.551.615 de grãos de trigo a serem pagos ao jovem Sissa, ou seja, dezoito quintrilhões, quatrocentos e quarenta e seis quatrilhões, setecentos e quarenta e quatro trilhões, setenta e três bilhões, setecentos e nove milhões, quinhentos e cinquenta e um mil e, seiscentos e quinze. É um número tão grande de grãos de trigo, que seria necessário semear seis vezes a superfície da terra para obtê-lo. Se uma pessoa contasse de um até este número, gastando um segundo por número, levaria quase sessenta bilhões de séculos para chegar até ele. Vendo-se incapacitado em cumprir a promessa, o rei mandou chamar Sissa para lhe oferecer outra recompensa. Sissa, entendendo a aflição do monarca por não poder cumprir sua promessa perdoou a dívida, afinal, seu objetivo havia sido atingido, ou seja, chamar a atenção do monarca para o cuidado que deveria ter com suas promessas e julgamentos e para reconhecer que atitudes aparentemente humildes formam grandes conquistas. Por fim, Sissa aceitou ser conselheiro do rei e todos viveram felizes para sempre.

Enxadristas famosos

Em 1913, Harold James Ruthven Murray publicou o livro “Uma História do Xadrez”. Nesta obra, o autor declara de forma convincente em mais de 900 páginas que o xadrez foi inventado na Índia, em 570. Segundo Murry (1913) a chaturanga era um jogo de quatro elementos, que teria sido o ancestral do atual xadrez. Jogavam quatro pessoas, sendo que cada uma possuía oito peças: um ministro (hoje dama), um cavalo, um elefante (hoje bispo), um navio (mais tarde uma carruagem, hoje a torre) e quatro soldados (atualmente os peões). Seu tabuleiro era monocromático (de uma só cor) e as peças dos quatro jogadores diferenciavam-se pelas cores vermelha, verde, negra e amarela. A peça a ser movimentada era definida por um lance de dados. Este jogo indiano teve três evoluções: num primeiro momento, eliminaram-se os dados; posteriormente, os jogadores em diagonal unem-se (aliados) e mais tarde, os aliados passaram para o mesmo lado do tabuleiro. Através de rotas comerciais e culturais o chaturanga é exportado para a China tornando-se lá o “Jogo do Elefante” e posteriormente o “Jogo do General” no Japão e na Coréia.

Na Pérsia ele passa a ser chamado de “Jogo de Xadrez” (em persa chatrang) e goza de imensa popularidade. É nesta época que o número de parceiros é reduzido a dois e cria-se uma nova peça; o Xã (Rei). Com a Pérsia sendo conquistada pelos árabes (por volta de 651 dc) estes adotam e difundem o jogo pela África e Europa. No século XI, o xadrez já é conhecido em toda a Europa e sofre a seguinte modificação: o Ministro torna-se Rainha (Dama). Na verdade o jogo ao adentrar a Europa começa a apresentar um aspecto monárquico.

No século XIII as casas do tabuleiro passam a ser divididas em duas cores para facilitar a visualização dos enxadristas. Por volta de 1561 o padre espanhol Ruy Lopez de Segura idealiza a criação do roque, movimento que será aceito na Inglaterra, França e Alemanha somente 70 anos depois. O movimento en passant já era usado em 1560 por Ruy Lopez, embora não se conheça seu criador. O duplo avanço do peão em sua primeira jogada surge em 1283, em um manuscrito europeu. Entretanto, a principal alteração que sofrerá o xadrez acontecerá aproximadamente em 1485, na renascença italiana, surgindo o chamado xadrez da “Rainha Enlouquecida”, pois até esta época a rainha só podia deslocar-se uma casa por vez pelas diagonais, os bispos, que se moviam em diagonal de duas casas, passam a ter, também, movimentos mais longos. Os peões que chegam à última fila são promovidos a uma peça já capturada.

Em 1851 abre-se a era moderna do xadrez com o Primeiro Torneio Internacional durante a Primeira Exposição Universal de Londres, que foi vencido pelo alemão Adolf Anderssen. Anderssen teve inúmeros sucessores, mas os que mais se destacam são o pai do xadrez moderno, Wilhelm Steinitz (1836-1900) e seu sucessor, Emanuel Lasker (1868-1941). Steinitz é tido como um Aristóteles do xadrez. Seus planos são novos, baseado no acúmulo de pequenas vantagens que o adversário cede, se consideradas separadamente, nada representam, mas acumuladas podem construir uma vantagem decisiva.

O mérito de Steinitz está em perceber que a teoria de uma partida de xadrez gira em torno de um delicado equilíbrio de forças. Para conseguir vantagem em um desses elementos, tempo, espaço e matéria, deve-se ceder algum outro tipo de vantagem de igual ou aproximado valor. Em outras palavras, nada se obtém grátis em uma partida bem equilibrada de Xadrez. Steinitz foi campeão mundial por 28 anos, de 1866 a 1894. Já Emanuel Lasker, que derrotou Steinitz, é considerado uma das maiores personalidades da história do Xadrez. Doutor em filosofia e matemático via o xadrez como uma constante luta de duas vontades. Como teórico procurou desvendar os princípios fundamentais que regem a conduta da partida de xadrez. Seu estilo consiste em desequilibrar a posição, nem sempre realizando as melhores jogadas, mas sim os lances mais desagradáveis para cada adversário.

A este estilo criado por Lasker, dá-se o nome de “Escola Psicológica”. Após ser Campeão Mundial por 27 anos, de 1894 a 1921, Lasker perde o título para o cubano José Raul Capablanca. Todavia duas alterações importantes no panorama enxadrístico internacional merecem ainda menção: Em 1924, é fundada em Paris a Fédération International Des Échces, a FIDE, que hoje é a segunda maior federação esportiva do mundo, ficando atraz apenas da FIFA (Federação Internacional de Futebol e Associados) em número de países filiados. Em dezembro de 1986 a FIDE e a UNESCO criam a Comission For Chess In Schools que tem um importante papel na difusão do ensino e na democratização do Xadrez enquanto instrumento pedagógico utilizado nas escolas.

A Confederação Brasileira de Xadrez existe desde 06 de novembro de 1924. Em 1986 – FIDE – ONU – UNESCO criaram a comissão para xadrez nas escolas, visando a difusão deste esporte como instrumento pedagógico e cultural.

Alguns enxadristas que marcaram a história da humanidade: Albert Einsten, Oswaldo Cruz, Newton, Rousseau, Leibintz, Chopin, Dante, Beethoven. O jogo de xadrez, considerado por muitos anos, como um jogo para as classes privilegiadas, hoje é defendido por educadores e filósofos, como um excelente treino para todos, considerado um dos jogos mais populares do mundo. Esporte clássico e cheio de charme, onde duas pessoas jogam, com o objetivo do xeque-mate, que na língua persa quer dizer: “o rei está morto”.

O tabuleiro é campo de batalha das peças, sendo 64 casas divididas entre pretas e brancas, normalmente. Tem-se 8 linhas e 8 colunas e 26 diagonais. Composto de 16 peças brancas, 16 peças pretas, num total de 32 peças. As peças brancas começam sempre a partida.

Das 16 peças, temos 1 rei, 1 dama, 2 bispos, 2 cavalos, 2 torres, 8 peões. Na captura das peças, tira-se a peça capturada do adversário e coloca a própria peça no lugar da que saiu.

O Xadrez como ferramenta pedagógica

Tem-se como objetivo para o presente trabalho, que, no Colégio 29 de Abril no município de Guaratuba, no Estado do Paraná, que o Xadrez seja utilizado como uma ferramenta pedagógica, contribuindo assim, com todas as disciplinas no processo educacional de uma forma interdisciplinar. Também, de modo educativo e estratégico, ensinar xadrez para os pais ou responsáveis é um meio das crianças se aproximarem mais de seus familiares.

Somando a isso, pretende-se no decorrer da intervenção pedagógica no estabelecimento, fazer com que os adultos sintam a importância desse jogo no contexto educacional, uma vez que essa atividade é benéfica e afasta os alunos das ruas, drogas e criminalidade. Tendo consciência disso, eles poderão participar e contribuir, mais ativamente, junto à escola, numa gestão verdadeiramente participativa.

Com o intuito de contribuir nessa qualidade de ensino, no Colégio 29 de Abril, o projeto de xadrez para os pais, veio como forma estratégica, para contribuir com a Educação e levar a família a refletir sobre sua importância em todo contexto educacional. Acrescenta-se que ensinar os pais a jogarem xadrez, é um desafio possível, embora muitos tabus existam, como por exemplo, “ser um jogo muito difícil e de elite”. Uma vez que os pais aprendam o jogo, vão contribuir, incentivando seus filhos a jogar mais, e jogando com eles, automaticamente estarão mais próximos da escola. Esses pais, Jogando e compreendendo suas regras, com o passar do tempo, conseguem enxergar os benefícios do jogo, e contribuição na superação das dificuldades dos seus filhos.

De acordo com Bettelheim (2002, p. 12) “através de uma brincadeira de criança, podemos compreender como ela vê e constrói o mundo, o que ela gostaria que ele fosse quais suas preocupações e que problemas a estão assediando”. Outra relação do xadrez e os seus benefícios são com a Educação Especial, os jogos de xadrez tem demonstrado especial resultados para alunos com dificuldades de aprendizagem ou com deficiência. Enfim, quando a criança joga, ela experimenta, descobre, exercita, inventa, confere suas habilidades.

Na educação dos alunos o Xadrez é considerado atividade muito importante, uma vez que permite o desenvolvimento afetivo, cognitivo, motor, social, moral e a aprendizagem de conceitos. Uma vez estimulada sua curiosidade, iniciativa e autoconfiança, proporciona assim a aprendizagem, desenvolvimento da linguagem, do pensamento e da concentração e atenção. Quanto ao papel do professor, ele ajudará as crianças e adolescentes a compreender os conteúdos e superar as dificuldades. No papel de investigador, ele procurará saber como pensa a criança, para melhor ajudá-la.

Observa-se que as crianças sentem-se ao mesmo tempo “prestigiada e desafiada” quando joga com adultos, isso porque o jogo torna-se mais estimulante e rico. Portanto, conclui-se que o Xadrez, considerado como patrimônio cultural de toda humanidade, independente de fronteiras, criado pelos homens, veio para contribuir na formação dos alunos. Utilizar-se do jogo de xadrez na escola, como uma estratégia para uma gestão verdadeiramente participativa, onde os familiares dos alunos de quinta série, do ensino fundamental do período da manhã, terão a oportunidade de conhecer e aprender este jogo torna o projeto um meio em si, para alcançar esses objetivos propostos.

Fontes:

Brasil Escola

Prof Guilherme Contrucci

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Uma resposta para “Reflexões sobre a educação enxadrística: ferramenta psicopedagógica e a história do xadrez”

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